Cadeia do DNA
Inovação

A inovação deve estar no DNA das empresas

Recentemente, em conversa com um colega especialista e gestor de inovação de uma grande multinacional brasileira, nos questionávamos acerca de estratégias para fazer com que a inovação esteja de fato presente no DNA das empresas, como uma constante para seu desenvolvimento sustentável.

Quando nos deparamos com indicadores alarmantes como o “Custo Brasil”, a baixa produtividade média do trabalhador brasileiro, ou mesmo a crise que assola o país, é impossível que nós – empreendedores – não busquemos imediatamente alternativas que visem a superação desses fatores dentro das nossas empresas, como forma de aumentar a resiliência de nossas empresas, mas também como forma de ajudar a manter toda a economia do nosso ecossistema ativa.

Uma das apostas mais assertivas para que boa parte estes obstáculos se revertam em oportunidades é o investimento em inovação orientado à demanda, que não é necessariamente apenas a tecnológica, mas também a inovação em processos e produtos, de forma aberta ou fechada, incremental ou mesmo radical.

E, não se trata somente do investimento financeiro – tendo em vista que para isto existem diversas linhas de fomento em nível federal e estadual – mas sim do investimento em gestão e governança, os quais são cruciais para o sucesso deste complexo processo,e para que ele seja frutífero.

Como inserir a inovação no DNA das empresas

Para que a tão cobiçada inovação se instale de vez no DNA das empresas, é fundamental que essa filosofia faça parte de sua estratégia e do seu core business, e que seja perene nos diversos níveis executivos da empresa (operacional, tático e estratégico).

A inovação deve ser encarada como uma forma de fazer diferente, mais simples, mais acessível e melhor, sempre focada no crescimento, remuneração de capital e resultados, bem como na geração e manutenção de bons empregos e renda. Ou seja, a inovação deve ser percebida pelos gestores como a alternativa para garantir a sustentabilidade econômica da empresa, aumentando assim sua resiliência.

E é nas empresas que está a chave mestra para o “deslanchar” deste grande movimento pela inovação, pois são especialmente os negócios que observam, perseguem ou geram as demandas às quais as inovações são aplicadas, tendo o subsequente envolvimento sinérgico das universidades e do poder público, como os elos de apoio que compõem a tríplice hélice conceitual dos ecossistemas de inovação.

Não me canso de repetir que “todo problema possui uma irmã gêmea chamada oportunidade”.

O empreendedor brasileiro é um verdadeiro herói e deve ser considerado como tal por sua capacidade adaptava e resiliente, afinal não é nem um pouco fácil empreender nestas terras.

Quando o quesito é persistência e criatividade nossos empreendedores certamente estão dentre os campeões mundiais e por isso tenho certeza de que também poderemos ser campeões no quesito inovação, especialmente em função da diversidade cultural que possuímos no nosso país miscigenado e pelos desafios que nos são impostos dia após dia.

Se efetivamente quisermos assegurar o desenvolvimento econômico sustentável de nossas empresas, devemos buscar incessantemente inserir a inovação orientada à demanda no nosso DNA das empresas, não somente na estratégia, mas também nas ações cotidianas e de forma colaborativa, permitindo que novas e melhores formas de atender nossos clientes surjam a partir de todos os níveis da empresa, bem como de nossos stakeholders, seja através dos colaboradores, dos fornecedores, dos clientes, ou da sociedade.

Quão melhor seja a percepção do empreendedor em relação às necessidades e demandas do mercado e a flexibilidade em inovar em seus negócios, maior a tendência da escalabilidade de suas soluções e maiores suas chances de assegurar nichos de mercado e garantir lucratividade sustentada, e maior resiliência frente a momentos de crise.

Benyamin Fard Benyamin Fard
CEO da Biovita.
Iraniano radicado no Brasil, é empreendedor serial e representante do Stanford Research Institute no Brasil. Graduado em Engenharia Elétrica, com MBA Internacional em Gestão Ambiental (UFPR) e Mestrando em Engenharia e Gestão do Conhecimento (UFSC).

Acredita que a resiliência organizacional é resultado da inovação sustentável, razão que o faz entusiasta por estes temas em todas as suas formas, e em especial quando lideradas por empreendedores através de suas startups.

É músico autodidata apaixonado por rock progressivo, ávido pesquisador de temas ligados à filosofia, história e quântica. É também esposo e pai de dois filhos.